Publicado por: . | 09/06/2012

História da Inteligência – Parte III

OPERAÇÃO JOSUÉ

Quarenta anos depois dos acontecimentos da Operação Moisés, os israelitas se preparavam para entrar novamente na Terra Prometida; agora, sob a liderança de Josué, um dos dois sobreviventes da primeira ação de espionagem registrada nas páginas do Livro Santo.

Os hebreus atravessam o Jordão, cuja corrente d’água pára para lhes dar passagem, e se aproximam de Jericó, uma verdadeira cidade-fortaleza cercada por grossas muralhas.

A necessidade de conhecer leva Josué a desencadear nova operação de espionagem, para a obtenção dados sobre a localidade e o povo. Seleciona dois jovens agentes, cujos nomes não estão registrados na Bíblia, pois atuavam no mais completo anonimato.

Conhecida como a segunda profissão mais antiga, a espionagem surgiu de mãos dadas com a primeira: a prostituição. Os dois agentes entram em Jericó e se misturam à população. De imediato, assinalam a meretriz Raab e decidem recrutá-la, iniciando com sucesso as fases de aproximação e abordagem. Raab passa então a colaborar, dando-lhes informações valiosas.

Um informante denuncia a presença dos espiões às autoridades de Jericó. Um emissário do Rei vai à casa de Raab e é recebido pela meretriz.

“Faze sair estes homens que foram ter contigo e entraram em tua casa, porque são espiões e vieram conhecer todo o país”.

O texto nos leva a uma pergunta: como o rei ficou sabendo da presença dos enviados de Josué? Simples: ele possuía um serviço de contra-espionagem eficiente e uma bem montada rede de informantes.

Raab não os entregou; ao contrário, impediu a captura dos dois e os ajudou ma fuga, depois de fazer com eles um acordo. Disse-lhes que os habitantes de Jericó já esperavam pela invasão, e não tinham a mínima vontade de lutar. A saída do Egito, a passagem pelo Mar Vermelho, a destruição do Exército do Faraó e as façanhas realizadas durante os 40 anos passados no deserto, haviam chegado a Jericó e convencido seus habitantes da superioridade dos israelitas. A população permanecia amedrontada, apesar da cidade ser uma fortaleza com um exército bem armado e treinado.

Raab acreditava que a cidade sucumbiria ao ataque hebreu e fez um pacto com os espiões: ela os ajudaria sem revelar a ninguém suas identidades e o que lhes foi informado, desde que, durante o ataque, sua família fosse poupada. Os dois concordam e voltam para apresentar a Josué o relatório da missão.

Josué foi informado sigilosamente do recrutamento de Raab, do acordo feito e de suas informações sobre o temor do povo em relação aos hebreus. Com base nesses dados e em uma informação tática passada por um Anjo, Josué planeja a invasão e, depois relatar os detalhes do plano aos líderes das tribos, conquista a Jericó promovendo sua destruição e a execução de todos os seus habitantes. Raab e a família, segundo o pacto firmado com os espiões, foram poupadas e incorporadas ao povo. Conforme o combinado, ela deixou um laço de fita vermelha na porta da casa que, identificado pelos soldados, evitou sua destruição. Ainda hoje a luz vermelha brilha na porta de todos os prostíbulos.

Os contrastes são notáveis entre essas duas operações, principalmente nas técnicas e procedimentos administrativos usados pelos excelentes líderes bíblicos, e pelas pessoas envolvidas diretamente nas ações. Suas conseqüências são, portanto, significativamente diferentes:

1. A Operação Moisés realizada por amadores, dentro do domínio público, resultou no enfraquecimento de sua liderança, precipitando um longo período de severos castigos para toda a nação, conforme registra as Sagradas Escrituras;

2. A Operação Josué foi executada por profissionais, observando sigilo total e conduzindo o povo à realização de seu destino nacional;

3. Os dados passados a Moisés são conclusões produzidas pelos próprios espiões. O relatório negativo da maioria é reflexo de suas percepções de responsabilidade pela possível derrota, caso as ações militares fossem iniciadas, pois seriam comandadas por eles próprios. As pessoas concordaram com o relato negativo dos 10 espiões, não pelos dados neles contidos, mas pela interpretação dos mesmos por indivíduos de proeminência nas tribos – os próprios executantes da ação de espionagem.

4. Os espiões de Josué entraram em segredo na Terra Santa, embora depois descobertos pela contra-espionagem. Recrutaram uma prostituta que lhes passou informações importantes sobre a atitude das pessoas em relação aos hebreus [Informações Psicológicas]. Os espiões passaram-nas diretamente a Josué, somente a ele e de forma sigilosa. Nenhum julgamento moral foi feito em relação ao pacto fechado com Raab. Nem os dados passados por ela foram questionados como oriundas de fonte inidônea ou reprovável; sendo, portanto, considerados confiáveis.

A Bíblia Sagrada não registra qualquer comentário de Josué sobre o seu recrutamento. O acordo foi honrado e, depois da Batalha de Jericó, Raab e sua família uniram-se aos israelitas e viveram com eles. Nenhuma menção é feita sobre a sua permanência na mais velha profissão do mundo; contudo, as referências bíblicas a retratam como “meretriz”.

5. É provável que a Operação Moisés tenha sofrido complicações por causa da omissão de assuntos políticos na Ordem de Busca [OB]. A seleção dos 12 espiões, o principal de cada tribo, provavelmente foi influenciada por considerações de ordem política; mas, ao mesmo tempo, a OB de Moisés continha instruções específicas definindo os objetivos da missão, sem mencionar assuntos de ordem política. Em síntese, a Operação Moisés é o exemplo de uma ação de espionagem com tudo para acabar bem, mas que tropeçou em seus próprios erros e fracassou.

6. A Operação Josué, por sua vez, não teve problemas de omissão na instrução. Seus agentes sequer tiveram a preocupação de criar uma estória-cobertura, tecnicamente aceitável.

A Ordem de Busca foi clara, porém, mínima: “VÁ, VEJA A TERRA, ESPECIALMENTE JERICÓ”.

A estória-cobertura não pode ser aí determinada e, se pudesse, provavelmente seria do conhecimento apenas de Josué, controlador de todos os assuntos administrativos referentes à missão. Ao receber o relatório, ele o analisou, tirou suas conclusões, produziu um plano de ataque que, submetido à apreciação das 12 tribos, foi aprovado e realizado com sucesso.

Uma lição importante pode ser retirada da analogia entre esses dois fatos: uma operação de espionagem deve ser realizada sempre em segredo, por profissionais qualificados, sem quaisquer outras responsabilidades – civis ou militares.

Os espiões relatam sigilosamente o produto de seu trabalho a um usuário – a mais alta autoridade dentro do processo decisório. Este toma as decisões sem debate público

Sob a liderança dos Patriarcas, as 12 tribos hebraicas conseguem se fixar na Palestina, apesar dos inúmeros conflitos que, sem dúvida, ainda não acabaram.

Após a morte do Rei Salomão, ocorre o Cisma e a formação de dois reinos:

Reino de Israel – compreendendo as dez tribos do norte;

Reino de Judá – as duas do sul.

O primeiro foi destruído pelo rei assírio Sargão II. E o segundo conquistado por Nabucodonozor II, que levou todos os seus habitantes para a Mesopotâmia, iniciando o “Cativeiro da Babilônia”.

Ciro II, o grande rei dos persas, invade a Babilônia, liberta os judeus e permite-lhes regressar à Terra Prometida.

Em 63 a.C., o general Gneu Pompeu conquista a Palestina, anexando-a ao território da então República Romana. No ano 70, o filho de Vespasiano, Tito, investe contra os judeus, expulsando-os da terra e provocando a primeira Diáspora. O imperador Adriano foi o responsável pela segunda. No dizer de alguns historiadores, como Flávio Josefo, Canaã ficou um deserto”.

Texto extraído do Livro  Sistema de Inteligência de Israel do Professor Raimundo Teixeira de Araújo, que foi meu Professor na ESG/RJ.


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